Uma grande lição de vida

por Aparecida de França Sales (Cida)

Surpresa com a energia que sinto da vida, estou sempre em atividade, em constante movimento. São estas condições que me fazem assumir responsabilidades, principalmente na família e na comunidade, dois mundos em que coloco meu verdadeiro interesse.

Esposa do astro rei da família Sales, o Paulo, e mãe de 3 criaturinhas maravilhosas, Tati, Juju e Lina, cada uma com seu curso acadêmico e vida profissional completos, um dos meus sonhos realizado, ao longo de anos de trabalho árduo meu e do Paulo (astro), saindo às 5h da manhã, de retorno às 00h do mesmo dia.

Trabalho árduo que também nos presenteou com nosso apartamento, nosso lar, carro, telefone, que naquela época era privilégio ter linha, e conseguimos, e uma vida bastante confortável.

Quando as pimpolhas já formadas, com minha formação técnica contábil fui convocada ao serviço administrativo na Secretaria de Segurança Pública Municipal, e por ali descobri ser possível ter o meu próprio negócio. Marido já estabelecido em seus projetos de edificações, colaborando em parceria no projeto da pousada no Litoral Norte Paulista (www.tocadapraia.com.br), abri meu primeiro negócio. E aí com toda inexperiência e seqüências de erros, deu-se o início da grande virada.

Vamos começar a aventura de meio século de vida e vitórias de uma família; família é nosso fã-clube do peito, do coração, e é aí que devemos toda nossa importância e potencialidade do que somos.

No exercício de 2003, ou seja, em 12 meses, perdi quase tudo que havia conquistado nesses 46 anos de vida, restaram minha dignidade e meu apto. Pode crer é isso mesmo. E tudo por efeito de “N” erros seqüenciais, falta de competência, cansaço físico e mental, e dissabores que a própria vida se incumbe de nos presentear. É sim, presentear, porque é daí, desses dissabores, que crescemos e como crescemos.

Quando me vi nocauteada e notei no semblante do sparring, já estava pronta a toalha a ser jogada no ring da vida, eu disse:

– Cida isto precisa mudar.

E mudei. Foi isso, mudei tudinho na minha vida. Comecei pelo meu maior ídolo, meu astro rei, carinhosamente meu fofo que estava muito entristecido com tudo o que estava ocorrendo em nossas vidas. A parceria da pousada no Litoral Norte havia se desfeito, eu por conseguinte, não tive capacidade suficiente para bem administrar o escritório que por hora havia aberto.

Ele, com 53 anos, encontrar oportunidade onde? Recomeçar do zero. Quando não se encontra oportunidade então produzimos uma, e assim foi feito.

A partir deste ponto, tudo que aconteceria dali em diante seria uma grande possibilidade de se reerguer e recomeçar, disso eu não tinha dúvidas. Num retiro de 2 dias na casa do meu pai e pensando na vida, cheguei a um resultado positivo. Mudanças!! Adentrando em casa após o retiro, vi meu fofo na maior depressão, baixou o “5 minutos” em mim, e da porta da sala disse a ele:

– Benhê… vou vender água no farol!!

Pronto, estava declarada a sentença da mudança. O Paulo acordou, ficou possesso; bem ele já se mexera, era o que eu queria. Afinal se eu queria que acontecesse alguma coisa, então aconteceu alguns momentos de tensão e foi aquele forrobodó.

O Paulo virou uma fera. Indignado mesmo e não entendia porque eu ia fazer aquilo. Eu vender água no farol, não tinha cabimento, ele dizia. E olha que ele é mineiro e mineiro geralmente é calmo. Imagine o caos.

Na mesma noite, a convite do professor da Lina (minha caçula), fui participar de uma apresentação de empreendedorismo na faculdade dela. Deixei o Paulo falando sozinho e fui explanar empreendedorismo para a nova geração.

Foi a glória! Nesta apresentação que fiz à classe, tive a certeza que eu estava certa, tinha que ir para o farol, e pensei, era a única maneira de tirar o Paulo daquela tristeza, daquele momento de desesperança, sabia no meu íntimo que ele ia aprender algo até nunca pensado antes, ia ter uma atividade agitada, desinibida, uma possibilidade que precisava aparecer, o contato com as pessoas, com os empresários que viajam para o interior e param no farol, era também minha chance.

Foi engraçado, por que enquanto eu falava, intimamente a certeza ficava mais profunda na decisão que eu tinha tomado. Sim, e o Paulo ficou em casa amuado, brigamos muito mesmo, mas não arredei pé.

No sábado, fiz o que havia dito na quinta, comprei 1 caixa de água. Na sexta ficou gelando à noite e no sábado fui para o farol. Arranjei um carinho aqui, comprei uma caixa de isopor grande e enchi de copo de água.

Quando ele viu que eu ia mesmo ele foi junto e tomou a frente, mesmo amuado, mas foi… rsrsrs Uma hora depois, fui comprar outra caixa e as pessoas pediram suco. Fui e comprei e assim estamos até hoje, de suco e de água no farol e na feira aqui perto de casa. A saber, um copo de água pagava no atacado R$ 0,15 e vendemos a R$ 1,00. O suco pago R$ 0,50 e vendo a R$ 1,00. No calorzão mesmo é uma mina de dinheiro(maneira de falar, claro… mas pra quem estava se enterrando na tristeza como vi meu amor Paulo, é uma mina sim).

Olha só como são as coisas, vai daí que esses dias chegando em casa depois de um dia de farol, toca o telefone e uma empresa de um conhecido nosso chamou o Paulo pra trabalhar como representante comercial. Veja a experiência da água no farol pra que serve. Ele é outro homem, outra pessoa, viu que pode, que ele tem uma vida toda pela frente pra viver com decência e tem talento para desenvolver em prol dele, e da própria vida. Precisa de ver que transformação incrível aconteceu. A atitude que ele tomou para vida. Foi algo inenarrável.

Hoje ele vê e enxerga a vida com horizonte próspero. Não pelo dinheiro que digo isso, mas pela busca de uma vida melhor, pela produtividade do seu interior pessoal. É lindo de ver ele assim a todo vapor, empolgado fazendo acontecer! A sua disposição sincera o levou a vencer todos os obstáculos!

Bem ele ficou com a representação da loja, participou de palestras de motivação da Venda Mais, foi no Sebrae e fez um curso de representação comercial, para entender mais sobre o assunto, e no final de semana vai para o farol vender suco, acredita nisso! E ele diz claramente sem pestanejar, depois que ele aprendeu a vender água e suco agora nunca mais ele fica sem um tostão no bolso!! Rsrs

Sem dizer o astral dele, que está ótimo, é legal não é! E além do mais, logo logo estaremos de carro, e isso vai facilitar bastante, imagina isso… rsrs

Pensa que parou aí… tem mais…

Eu nessas andanças de buscar as coisas, oportunidades e por aí a fora, descobri que lá em São Roque, 30km daqui, ia acontecer um vestibular, 9/11/2003 e que os 20 primeiros aprovados teriam direito a uma bolsa de estudos na disciplina de Direito no período da manhã.

Não pensei duas vezes, me inscrevi. Dia 9/11/2003 estava eu lá, no meio daquela moçada toda fazendo o vestibular, a cabeça estava a mil porque tinha brigado com o Paulo, mas fui assim mesmo. Bem, passei no vestibular, mas não consegui a pontuação para me beneficiar da bolsa de estudos. E mesmo assim fiquei feliz, porque esta experiência mostrou que ainda posso concorrer com essa meninada de hoje. E daí vai que por onde eu ando vou distribuindo curriculum e minha apresentação de trabalho, o que é de praxe em mim. *rs

Pois bem, dia 14/11/2003, me liga aqui a Bit Company (www.bitcompany.com.br ), agendando uma entrevista para a segunda, 17/11/2003, às 15h. Normal, falei para meu fofo Paulo e para as meninas, deve ser pra vaga de copeira, porque eu lembrava que tinha uma placa de precisa-se de copeira e recepcionista lá.

Fui na tal entrevista quando, de surpresa, fui conduzida a uma sala que estava com uma meia dúzia de empresários, gerente de empresa, profissionais da área, bem trajados, de gravata, aquelas bolsas pretas lindas, profissionais mesmo, as mulheres todas no salto. Apesar de eu estar bem trajada, eu pensei, nossa, estou na sala errada! Quando naquele momento fiquei sabendo que eu estava concorrendo a uma vaga para instrutora de Gestão Empresarial. Ahahah… até me belisquei… não acreditava no que estava acontecendo… ahahahah

Conclusão, entre os profissionais de carreira, tinha um que dava aula há 15 anos, outro gerente da Astra Zeneca (o laboratório que faz a vacina da AIDS. O Cazuza veio se tratar aqui na Astra). Nossa!! Pensei, concorrer com essas feras não tenho a mínima chance, mas meu curriculum estava lá no meio do deles… rsrs

Foi um dia de entrevista, uma prova de desenvoltura e exame psicológico. 3 dias depois fiquei sabendo que fui selecionada. Você acredita nisso? Nem eu… rsrs Me belisca, porquê eu ainda estou sonhando… rsrs Vou dar aulas à noite de GEA – Gestão Empresarial: Administrativo, Contabilidade, Empreendedorismo e mais toda a motivação e ânimo que tenho de viver… calcula o que é isso… para quem foi disposta a uma vaga de copeira! 😉

Daí que chegamos no dia 05/01/2004, fui iniciar as aulas do novo ano, e para mais alegria minha, veio o convite formal para ministrar aulas, de dia, sobre QUALI – Qualificação Administrativa com ênfase em Informática, e também o que me fez a pessoa mais feliz do mundo, dar palestras aos empresários da região… ou seja, mirei no que vi e acertei no que não vi.

São palestras, na verdade, com o intuito de elevar o nome da escola da qual dou aulas e com o conteúdo das aulas, que nada mais são do que tudo o que trabalho: empregabilidade. Falo por todos os ventos, entretanto é esta oportunidade que eu precisava, justamente pela dificuldade e momento que estava passando. É tudo o que eu queria na vida. Detalhe, é aqui bem pertinho de casa, vou a pé… rsrs

Seguir em frente e com coragem, nesta nova empreitada estou preparada, com toda força que tenho, porque sei que estas palestras, mesmo sendo a princípio em prol da escola, com meu talento, mais uma vez a serviço do bem da vida, a serviço do profissionalismo meu e de todos que me rodeiam, desenvolvendo meu trabalho com amor, vou abrir este campo empresarial para outros motivos de palestras, quem sabe no segmento de motivação, contabilidade para contador, dentre outras, sem abrir mão das conquistas que fiz e estou fazendo neste belíssimo presente de natal que se pôs a minha frente.

Tenho coragem e não desperdiço energia sempre cuidando dos meus pensamentos, dos meus propósitos, acreditando na minha capacidade e sei que tudo sempre da certo. Não sou presunçosa, mas a fé que tenho na vida é mesmo a nutrição que mantém meu corpo sadio e mente sã, conseqüente e obviamente, com o apoio da minha família, do meu fofo e amigos, mas se não fizermos nossa parte de nada valeria tudo isso não é verdade.

É isso, sei muito bem que fazemos parte do espetáculo da vida e bem por isso, devemos aproveitar muito o que ela tem a nos oferecer a todo instante. Definitivamente, Papai Noel foi generoso comigo, ganhei um baita presente de natal. Agora dá para calcular como estou de felicidade nessa minha vida.

Verdade seja dita, bendita seja a hora em que meu instrutor de IPGN me recomendou o grupo de emprBr (Empreendedor do Brasil) para ingressar. Aprendi muito neste grupo de conversação, vi nitidamente meus erros, onde falhei. Hoje, as vezes, comento com o Paulo que muitos erros cometi. Hoje, aprendi como fazer.

Talvez não tivesse fechado meu escritório se tivesse o aprendizado que tenho hoje, aprendizado este que obtive primeiramente no grupo. Não falo isso por hipocrisia, me sinto bem sim em nosso grupo, participo de outros grupos, mas desde o primeiro contato no emprBr fui muito bem recebida, por igualdade de condição, aprendi e até hoje aprendo bastante com todos, assuntos que são abordados, me sinto totalmente a vontade e confortável e dele vieram outros grupos, tão bom quanto, e os amigos que conquistei, minha nossa, são maravilhosos, alguns já vieram aqui em casa, tenho amigos aqui que é para toda vida, prezo muito as amizades. Digo sempre: posso perder meus amores, sofrerei muito, mas se perder meus amigos, sofrerei muito mais. *rsrs

Tenho um amor incondicional por todos, sobretudo os amigos especiais. Não citarei nomes para não cometer injustiças, uma coisa é certa a lista é longa e faço muito gosto que todos venham aqui em casa, é um prazer receber a visita de amigos como os que conquistei aqui.

Tenho um casamento de 30 anos, e acredito que um bom casamento não tem fórmula para dar certo, mas tem algumas regras que precisam ser seguidas. A primeira delas é investir no casamento a fundo perdido e a segunda é não fazer contabilidade. Mais que isso, para acabar com um casamento, basta colocá-lo na ponta do lápis! Sabemos que não tem casamento que é uma eterna história de amor. Sobrevive-se enfrentando crises e situações que aparecem ao longo da vida. Mas ele perdura porque a gente quer que perdure, porque a gente quer que de certo e dá certo. Casa-se por amor, por hormônio, paixão, tesão e mantem-se por sabores, dissabores, alegrias e dureza do dia-a-dia.

É isso. Concilio nos grupos de conversações e vejo tudo isso de uma forma muito cordial e profissional, quase como um casamento. Em todas mensagens redigidas, é uma busca de dar certo, de encontrar caminhos e alternativas para que as ações dêem certo e as respostas estão em todos os componentes, que se respeitam, se compartilham e se doam para um só bem, cada um em sua peculiaridade. E tudo isso é NOSSO e quando digo NOSSO, entenda-se, toda humanidade ilimítrofe, a nossa nação.

Como empreendedora deixo meu agradecimento a minha família, meu marido/ídolo Paulo, hoje 2004 ele voltou a estudar e esta foi minha maior vitória dos últimos tempos. Agradeço ao meu amigo Omar Queiroz, a todo o Grupo emprBr, a todos amigos que conquistei até hoje através deste canal de conversação aparentemente frio e que tem a magia de nos fazer mais felizes. Um carinho em especial ao meu amigo Ivan F. César, por seu convite publico para expor esta mensagem, e deixo minha admiração pela lisura e competência a qual administra o grupo EmpreenderParaTodos.

Aparecida de França Sales (Cida)