Tudo que reluz é ouro

A estabilidade de grande parte do Sistema Financeiro mundial é dependente da saúde financeira das nações e suas economias. A pouco tempo vimos nossa vizinha Argentina quebrar, e com isso, a grande maioria de seus habitantes passar por sérias dificuldades. Gente que inclusive tinha muitos dólares nos bancos, mas tinha os saques limitados pelos bancos e pelo governo. Como se proteger e se preparar para um futuro incerto? Que mecanismos podemos utilizar para ter garantias tanto para o caos financeiro quanto para nosso futuro após a aposentadoria? Há várias respostas possíveis. Aqui discutiremos uma delas: metais preciosos (ouro/prata/platina).

O ouro, aquele metal amarelo, procurado e desejado por todos. Metal desejado pelos conquistadores. Metal sonhado pelas pessoas do povo. Metal das jóias mais belas. Metal que faz parte das reservas de todas as nações. A prata, usada para os mais diversos fins, talheres, joias, riqueza e utilidade. A platina, o mais raro e caro dos metais preciosos atualmente, usada no processo anti-poluição de muitos dispositivos, de filtros para grandes fábricas a catalisadores de automóveis.

Porque comprar ouro (ou outros metais preciosos)?

Metais preciosos não pagam juros e dividendos de uma maneira tradicional, porém oferecem segurança porque:

* Possuem liquidez imediata.
* É um ativo conveniente e popular. Quem os possui, geralmente, os possui fisicamente. São tangíveis.
* Diversifica seus investimentos protegendo-o das crises financeiras.
* É desejado: guerras aconteceram por ouro e prata.
* Historicamente se mantém estável frente a inflação.

Como possuir ouro, prata ou outros metais preciosos ajudará durante as crises?

Muitos especialistas acreditam que quando uma crise financeira ocorrer o sistema bancário irá a colapso ou suspenderá temporariamente suas atividades, como aconteceu recentemente na Argentina e no Uruguai. Com isso, as pessoas ficam sem meios de pagar suas contas ou até mesmo ir ao supermercado.

A idéia de ficar sem dinheiro para as necessidades mais elementares como comida, higiene e outras contas domésticas é apavorante para qualquer pessoa. Mais ainda para aquelas que têm o dinheiro necessário, mas não podem dispor dele por arbitrariedade de um governo ou de instituições bancárias.

Outro grande medo é o dos investidores. Com seu capital em fundos de renda fixa, aparentemente seguros, em ações, com seus altos e baixos, em planos de previdência sem nenhuma garantia de rendimentos futuros. Tudo conspira contra.

O ouro e a prata (e atualmente a platina pode ser incluída aqui) foram, por muitos anos, utilizados como moeda de troca entre as pessoas. Até pouco tempo atrás, os governos garantiam suas emissões em reservas destes metais em seus cofres. Apesar de hoje em dia não haver mais a paridade das cédulas e moedas com as reservas físicas, os governos mantém guardada grande quantidade de metais preciosos para garantia e proteção.

Porque não fazermos o mesmo nós, pessoas comuns? Para ilustrar um pouco melhor, vamos pegar um exemplo da Segunda Guerra Mundial e mais atualmente da Guerra do Golfo. Nestas duas guerras, os pilotos de avião de vários países tinham algo em seus kits de sobrevivência bastante peculiar. Pequena, simples, porém de grande valor em qualquer lugar do mundo: moedas de ouro. Caso seus aviões fossem abatidos e eles conseguissem se salvar, estava garantida a conversão de seu “tesouro universal” para a moeda local.

Aproveitando o exemplo da guerra, notamos que esta é uma das formas mais simples de se investir em ouro. Podemos comprar jóias e anéis, mas geralmente pagamos um custo alto pelo trabalho do ourives e até mesmo pelo do designer de algumas jóias. Podemos comprar barras e lingotes de ouro, disponíveis nos mais diversos pesos e medidas, mas estes são bastante difíceis de encontrar. Ou podemos simplesmente iniciar uma coleção de moedas. Muitos países cunham moedas de ouro, prata e platina, que são vendidas no mercado mundial pelo valor do metal contido nelas. Não possuem valor extra de coleção devido às suas altíssimas tiragens, ou seja, pagamos exatamente o valor do metal que compramos.

Uma das formas mais simples de se começar este tipo de investimento aqui no Brasil é procurando uma agência do Banco Central. São lançadas com certa frequência moedas de ouro e prata comemorativas. Dependendo das tiragens, estas moedas podem com o tempo se valorizar ainda mais, gerando um ganho substancial. Outra forma é procurar em sua cidade lojas especializadas na comercialização de cédulas e moedas. Além de moedas raras, é comum venderem moedas de prata à quilo, ou moedas de ouro sem valor de coleção, apenas pelo valor do metal, na cotação do dia.

Outra forma é investir no futuro de nossos filhos. Que tal no próximo aniversário dar de presente uma moedinha de ouro? A moedinha da sorte dele! Comprando uma moedinha a cada seis meses, por exemplo, calcule o quanto ele terá de “poupança” quando completar a maioridade. Para facilitar, em valores de hoje, uma moeda das mais comuns de se achar, a libra inglesa com a face do rei George V, tem aproximadamente 8g de ouro 22 quilates, ou 7,2g de ouro puro. Com o ouro valendo R$ 38,20 o grama, isto nos dá aproximadamente R$ 275,00 cada moedinha. Dando uma moeda a cada seis meses para seu filho, do nascimento até a maioridade, ele iniciaria a vida profissional com um saldo inicial de R$ 9.900,00 em valores de hoje. E dependendo da disponibilidade financeira, pode-se aumentar a quantidade de moedas por ano, por exemplo, comprando uma a cada três meses, ou a cada dois. Ou quem sabe, uma por mês?

A decisão é sua. A informação, é aqui!

MoedaCorrente, sua fonte de informação para a independência financeira!

Feliz caça ao tesouro,
Fabrício Peruzzo – editor

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Fabricio Stefani Peruzzo
Gaúcho, empresário e investidor. Acredita na existência de um mundo de riquezas a disposição de todos os dispostos a estudar e entender como funciona o fluxo do dinheiro. Criou o site Moeda Corrente para ajudar as pessoas na busca da tão sonhada independência financeira.

3 pensamentos em “Tudo que reluz é ouro”

  1. Fabricio, gostei muito do seu texto. ALgumas pessoas entendidas da área de finanças que eu conheço parecem ter algum tipo de receio ou preconceito contra ouro – talvez por ser muito tradicional frente às novas possibilidades nas bolsas e fundos? Mas eu particularmente gosto da ideia de diversificar parte do investimento em ouro.
    Um abraço,
    Lorenzo

    1. Oi Lorenzo,

      Pessoalmente acho o ouro uma alternativa interessante de diversificação patrimonial, ou seja, é uma garantia extra em caso de uma grande crise, mas não o usaria como veículo de investimento de longo prazo com o objetivo de obter lucros, já que para colher estes lucros, teria que me desfazer de parte do patrimônio. Diferente do que ocorre com um imóvel, que se adquirido em uma região valorizada e com boas perspectivas para o futuro, não apenas valoriza ao longo dos anos, mas ainda traz resultados mensais na forma de aluguel, gerando renda além da valorização pura e simples.

  2. Concordo com o Fabrício na questão de imóveis, porém eu venho de uma família de corretores de imóveis, e do outro lado família que lidava com terras. Posso dizer que se você pode começar com 1G de ouro e transformá-lo em 2g e assim por diante, pode ser inicialmente melhor que comprar um terreno de R$ 180.000,00 (valor aqui da cidade).

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