Sobre as escolhas que fazemos

Após ler o email de um amigo que acaba de ganhar bebê, conto o pecado preservando o pecador, se ele quiser, se identificará nos comentários: 

Aqui, estabelecendo enfim uma rotina entre as trocas de fraldas…

Tenho percebido o privilégio que tenho de trabalhar em casa e poder estar o tempo todo ao lado da nossa filhinha. Somos em cinco novos pais esse ano aqui no condomínio, e vejo os outros falando da dificuldade de sairem de casa pra trabalhar deixando os bebês em casa.

Esses mesmos pais gastam o dinheiro recebido em troca das horas longe de casa pagando financiamento de carros que eles não precisam. E nem se dão conta disso. Estabelecer prioridades na vida não é fácil, e vejo que você sabe bem fazer isso. Vai ser um ótimo pai, chega de esperar! Providencia logo os herdeiros. Assim mesmo, no plural!! 🙂

Vamos deixar guardada a última frase dele para outra hora, sabendo que não deve demorar muito. A pressão dos pares é algo que realmente funciona, mas resistiremos por mais um tempinho, ainda temos algumas coisas a fazer antes da chegada dos herdeiros. Que serão assim, no plural 🙂 

O objetivo hoje é refletir um pouco sobre as escolhas que fazemos de forma automática, as escolhas que deixamos o mundo escolher por nós, por serem o padrão, o usual, aquilo que todos fazem, sem nos dar conta de que há diversos caminhos menos percorridos, as vezes, caminhos mais adequados para nós.

A mesma percepção que o amigo acima teve, também tenho tido em relação aos amigos que se tornaram pais recentemente. É interessante ver que cada um gerencia a questão de uma maneira particular, mas muito poucos fogem do convencional. Há os pais que deixam as filhas na creche, os pais que contratam babás para cuidar das crianças em casa, sempre existe a ajuda das avós, claro. Há uns poucos que conseguem folgar um ou dois dias, ou pelo menos alguns turnos na semana, mas realmente são poucos os que conseguem cuidar pessoalmente dos filhos.

A questão central não é como cuidar dos bebês, cada um faz da sua maneira e no final das contas, estamos todos aqui, bem, saudáveis e trocando idéias uns com os outros, então, seja da forma que for, a maneira de nossos pais já comprovou funcionar. O que gostaria de fazer pensar é um passo anterior, antes mesmo de chegar a hora de pensar em ter um filho ou uma filha. Por isto deixo as perguntas para quem ainda não tem filhos:

  • Você já pensou em como será sua rotina quando chegar a hora?
  • Já imaginou como gostaria que fossem seus primeiros dias e meses com essa criaturinha que acaba de chegar?
  • Está fazendo alguma coisa para tornar sua rotina doméstica mais próxima da desejada?

Alguns exemplos práticos do que estou perguntando…

Você trabalha longe de casa, commuting de duas horas para ir, duas horas para voltar para casa. Já se perguntou sobre a possibilidade de encontrar um emprego mais próximo, mesmo ganhando um pouco menos?

Ambos trabalham. Ambos ganham bem. Ao menos passou pela cabeça do casal a possibilidade de um dos dois fazer uma parada temporária para cuidar do novo membro da família? E sobre a possibilidade de ambos trabalharem meio turno?

Para os já pais, deixo a pergunta clássica, como foi (ou como está sendo) a sua experiência com a chegada de um filho? E a chegada do segundo ou terceiro? Que escolhas você fez e que escolhas foram diferentes da segunda ou terceira vez?

… mas não é só isso…

Devido ao teor do email que recebi, tratei muito da questão da chegada do primeiro filho. Certamente isto gera as maiores mudanças na vida de uma pessoa, mas o objetivo final da reflexão é válido para todas as outras situações em que simplesmente “escolhemos”, assim entre aspas mesmo, o caminho mais percorrido, sem parar ao menos um momento para refletir se em nosso caso não poderia haver uma alternativa mais adequada. Neste sentido, tenho tido muita sorte de não apenas viver uma vida fora do convencional, mas também de ter vários amigos com vidas assim com quem compartilhar e trocar idéias.

Em todos os sentidos, você está vivendo a vida que realmente deseja? Está percorrendo seu caminho dos sonhos? Está se perguntando sobre os próximos passos que dará, planejando o futuro? Ou está simplesmente seguindo pela estrada mais percorrida? Será ótimo ouvir sua história. Com certeza muitas outras pessoas se beneficiarão do que você contar aqui.

5 pensamentos em “Sobre as escolhas que fazemos”

  1. Olá Peruzzo.

    Sempre pertinente em seus textos. Concordo nos pontos de vista explicados, a chegada de uma criança na família exige dedicação extrema. Tenho amigos que passam pela a situação. Sou casado há cinco anos e minha esposa e eu escutamos sempre a clássica pergunta: E o neném quando chega?
    Gostaríamos de repassar esse texto mentalmente para todos os tios e tias e amigos todas as vezes que escutamos isso. Eu sei que maioria sobrevive e criam seus filhos com dinheiro ou sem ele; trabalhando ou desempregado. Mas a coisa toda, é que ainda temos o luxo de nos planejar. E essa é a intenção. Sinto uma vontade imensa de jogar a racionalidade fora ( e já tive) e ter logo a família aumentada. Mas quando paramos e pensamos na parte prática e no que eu quero para o meu filho, sinto o quão importante é o planejamento que faço por ele. Mas também por outro lado se nos sentirmos que fizemos o possível e for a hora, teremos o filho. Por que se for para pensar certinho e racionalmente, você acaba adiando muitas coisas em sua vida. O importante é acreditar no que é primordial pra sua vida agora e vivê-la assim.

    Abraços direto de Foz do Iguaçu!

    Obs: Esperando ainda sobre como ter o seu livro!

    1. Oi André,

      Obrigado pelo comentário. Sobre o livro, dá uma olhada na barra lateral direita aqui do site. Tem um link para comprar o livro diretamente pelo PagSeguro.

      Abraço.

  2. Fala Fabrício!

    pois é, na verdade fazer escolhas é definir prioridades. Você precisa de um objetivo claro, senão acaba trocando o tempo que passa no trabalho (e deixa de estar em casa) por coisas que não são tão importantes assim.
    A decisão de ter filhos tem muito a ver com liberdade pessoal. Uma mãe precisar parar de amamentar ao final da licença maternidade, um pai não poder acompanhar uma consulta médica ou compromisso na escola no meio da tarde. Não se trata de apenas ter dinheiro para pagar o melhor de tudo, roupas, escola, brinquedos, e ser um estranho em casa. Nem de ser uma presença constante em casa, mas não conseguir manter um nível mínimo de qualidade de vida. Trata-se de buscar o equilíbrio entre vida pessoal e vida profissional, e saber que vamos querer ter cada dia mais tempo para nossa vida pessoal.

    Abraço!!

  3. Oi, conheci seu blog agora, e o texto (mais que pertinente) me levou a uma profunda reflexão.
    Tenho 23 anos e sou mãe (solteira) há 2… faculdade por terminar, trabalho de quase 12 horas por dia.
    Tempo com meu filho? Raro. Tempo comigo? Extinto.
    Me soou triste quando li a pergunta ‘estou percorrendo o caminho dos meus sonhos?’ a resposta que ficou foi uma nova pergunta: ‘que sonhos?’.

    Boa sorte aos novos pais com mais estrutura… e aos como eu, força e perseverança.

    Ah… parabés pelo site ^^

    1. Oi Cíntia,

      O importante é fazer o exercício e responder a pergunta que te fizeste: “que sonhos?”

      Pode parecer difícil pensar em sonhos quando tudo ao nosso redor está desabando, mas somos mais fortes e mais vencedores do que podemos imaginar. A vida pode nos derrubar dez vezes, levantaremos onze.

      Abraço e sucesso, pode acreditar, ele virá.

Os comentários estão desativados.