San Francisco

San Francisco acabou parecendo o que eu imaginava, uma Porto Alegre menor, mas mais dinâmica e com muitos turistas. Passeando pela primeira vez em um sábado de verão, no horário do almoço e início da tarde, tudo estava tomado de gente.
Como todas as cidades com fama de turísticas, San Francisco tem a mesma atmosfera de que as coisas parecem mais marketing em cima de algo histórico do que a coisa real. Este comentário não traz em si nenhum demérito para a cidade, é apenas uma constatação de que as coisas que um dia tiveram um motivo para ser assim, hoje parecem um pouco artificiais, feitas para turista ver, o que não quer dizer que não podem ser muito bem aproveitadas por todos que ainda não as conhecem.

Luxo e compras

Chegando aqui logo após ter passado pela cadeira de Moda e Luxo na pós-graduação, resolvemos nos dar alguns pequenos prazeres nos dois últimos dias de viagem. Nos hospedamos no JW Marriott, a uma quadra da Union Square. Qual não foi nossa surpresa ao avistar, logo na primeira esquina, uma filial da Goyard. Seguida de todo o restante das grandes marcas de luxo mundiais. Sem dúvida alguma, um bom lugar para passear. Diria que é a Rodeo Drive de San Francisco.

Quem gosta de compras não vai se decepcionar, há shoppings e lojas em profusão. Um dos shoppings que agora não lembro o nome abriga a maior Nordstrom dos Estados Unidos, com quatro andares de loja apenas desta, além de uma profusão de outras lojas nos andares abaixo da mesma. As ruas também são tomadas de lojas para todos os gostos, como a Apple Store, sempre cheia, uma loja da Ferrari, Macy’s, etc.

Clam Chowder

Uma das comidas tradicionais da cidade, e acredito, da região do Vale do Silício, é a Clam Chowder, ou Sopa de Ostras. Provamos em três locais diferentes, na Cheesecake Factory de Palo Alto, onde parecia ter mais batatas do que ostras, em uma pizzaria no Pier 39 de San Francisco, onde estava um pouco melhor e finalmente na Boudin Bakery do Fisherman’s Wharf, onde parece ter se originado e onde foi a melhor de todas. As duas primeiras experimentamos junto com nosso host durante o fim de semana, meu amigo Eduardo Pinheiro, um apreciador da iguaria. Eduardo, se ainda não experimentaste a da Boudin, pode ir sem medo que é a melhor de todas. Além do mais, na Boudin ela é servida dentro de um pão Sordough, outra iguaria que só existe em San Francisco. O gosto da sopa é ótimo e a textura idem, mas infelizmente para a Ingue e eu, parece que somos meio alérgicos a ostras, porque em todas as três ocasiões nossos estômagos não ficaram muito felizes 🙁

O Pão Sourdough tem como característica ser feito com um fermento que só há na região. É um pão consistente, com a casca meio dura, mas não crocante. Tem um gosto bom, nem melhor nem pior que o de outros pães que já comi, apenas diferente. Em matéria de comida, não sei como descrever bem as coisas, então basta dizer que vindo a San Francisco, passe em uma Boudin e experimente. Há filiais espalhadas por toda a cidade, com a do Fisherman’s Wharf sendo a “vitrine” da rede. Quase esquecia de dizer, fazem tartaruguinhas, jacarés, ursinhos Teddy, tudo de pão. Muito legal e uma boa lembrança para levar na volta da viagem. Em Sausalito, uma cidadezinha que fica do outro lado da Golden Gate, vi um pacotinho do tal fermento a venda em uma lojinha de especiarias. Se arrependimento matasse… Não comprei na hora e depois não encontrei mais em lugar algum.

Humphrys Slocombe

Essa dica veio do @ezingano, um apreciador de sorvetes e das boas coisas da vida. É uma sorveteria simples, meio alternativa, que fica no bairro mexicano. Passando pela frente, é o típico local que não entraríamos, em um bairro que não iríamos conhecer. O proprietário é um chef de cuisine que, cansado de pratos e sobremesas tradicionais da gastronomia, resolveu inovar com sorvete, uma base que pega bem qualquer tipo de sabor. Os sabores são o ponto forte do local, como o Jesus Juice, feito de vinho tinto e, como disse minha esposa, “parece quentão gelado”. Ou o Elvis, “The Fat Years”, com banana e manteiga de amendoim, passando por sorvetes de pipoca com bourbon, azeite de oliva, chocolate maltado, baunilha tahitiana, presunto, torrada americana e muitos outros. O cardápio muda regularmente, dependendo do humor do dono.

É longe dos bairros mais turísticos do norte da cidade, pegamos o BART, o metrô da cidade para chegar lá. Uma dica sobre isso: o metrô é cobrado pela distância percorrida, então garanta que seu cartão tenha créditos suficientes para descer na estação certa. Se sobrarem créditos em um cartão, podem ser usados para pagar viagens futuras, como se fosse dinheiro. Se faltarem créditos, você tem que pagar o valor da viagem mais longa possível, por volta de US$ 5, com cartazes diversos informando que pular a roleta dispara imediatamente uma sirene e lhe pedindo para sorrir para a foto 🙂

Ghirardelli

O chocolate da cidade. Se San Francisco fosse Gramado, seria a Prawer deles. Se fosse Canela, seriam os chocolates Caracol. Tão bom quanto todos os bons chocolates do mundo, que mais poderia dizer. Se você for apreciador de chocolates como sou, não deixe de experimentar. São bem menos doces do que os Nestlé suiços, que particularmente não aprecio tanto. Nos mercados há diversas outras marcas de chocolate, provei alguns e gostei, mas não vou listá-los aqui.

Clima

E para não dizerem que só falo de comida, deixa comentar sobre o clima daqui. Mark Twain disse certa vez:

O pior inverno que já passei, foi um verão em San Francisco.

Na nossa estada tivemos o maior frio da cidade desde 1971, conforme disse o noticiário que assistimos na TV. Isso enquanto víamos o centro dos Estados Unidos com notícias de mortes devido ao calor excessivo que fazia na maioria dos estados americanos. Para quem saiu de Porto Alegre fugindo do frio… A Ingue leva de volta uma tosse e um pulmão ruins, eu passei imune dessa vez.

O ar é bastante seco e como estamos no verão, o sol é forte. Apesar do vento frio e da sensação deste frio, o sol queima de verdade. Não se deixe enganar, abuse do protetor solar e tome bastante água.

Há parques diversos, muitas áreas verdes. Uma sugestão para um piquenique é conhecer o Japanese Tea Garden, a oeste da cidade, próximo da praia. Fica dentro de um parque maior, um lugar muito agradável e tranquilo. Grupos maiores tem espaços onde além de piqueniques, costumam montar redes de volei para uma tarde de diversão.

A famosa Golden Gate foi quase um mito para nós. Logo que chegamos, ainda no início da viagem, não foi possível vê-la a caminho de Reno, onde passaríamos os primeiros dias com o amigo Gabriel Torres. A serração simplesmente encobria toda a ponte. Atravessamos pela Bay Bridge, um local que em dias mais claros nos permitiria ver a famosa obra de engenharia. Já no final da viagem, aí sim conseguimos ver a ponte. Atravessamos em direção a Sausalito, uma cidadezinha do outro lado da ponte, com montanhas e barcos particulares ancorados. Uma paisagem de filme. Não é a toa que o Steven Spielberg tem uma casa de férias na região (apesar do frio, mesmo no verão). Na volta, a serração deu uma folga e finalmente vimos a ponte em toda sua glória. Coincidência, no mesmo dia, li uma mensagem no Twitter de uma pessoa que “sigo”, comentando que se morasse em San Francisco naquele dia, teria se atirado da ponte. Não sei pelo que ela passou naquele dia, mas se quisesse pular, seria fácil, não há proteção contra quem realmente deseja se atirar.

O famoso bondinho elétrico de San Francisco é só um trenzinho pega-turista. É divertido, sobe e desce lombas íngremes ao longo de duas rotas na cidade, ligando a Union Square com a região do Pier e passando pela famosa Lombard Street, a rua mais inclinada do mundo, que precisa ser em zigue-zague para poder dar conta da inclinação. Bonitinha, mas muito pouco prática. Dizem que as casas alí custam uma fortuna, mas pobres dos moradores, que não podem receber visitas por não ter onde estacionar, ou por elas terem que parar nas ruas acima ou abaixo e ter que encarar a lomba, seja na chegada, seja na saída.

Chinatown é o típico bairro chinês, com centenas de lojinhas de bugigangas, restaurantes típicos, roupas tradicionais e as famosas espadas ornamentais. Visite, escute as pessoas falando chinês nas ruas, e saia pela direita, em direção ao Museu de Arte Moderna.

O SFMOMA fica próximo ao centro Yerba Buena. Já descobri em outras ocasiões que não nasci para entender ou gostar de arte moderna. São coisas sem sentido, quadros enormes “que qualquer criança jogando tinta em cima faria”. Não é para mim. A arquitetura do prédio é legal, as exposições fotográficas idem, uma ou outra obra eram interessantes. O fato é: gosto de museus, a diferença é que nos de arte moderna caminho mais rápido na maior parte do tempo 🙂

Na Apple Store, conectado para dar notícias ao mundo, resolvi marcar onde estava no FourSquare. Vendo a lista dos locais próximos, apareceu o Twitter. Não resisti, tuitei de dentro do Twitter. Ficava em um prédio comercial a três quadras dali, um andar inteiro. A recepção era enorme, só com algumas cadeiras próximas às paredes e uma recepção no centro. Nem entramos direito, apenas batemos uma foto cada um ao lado da placa escrita Twitter e fomos embora.

Impressões finais

Um lugar bonito, bem cuidado, agradável, acolhedor e receptivo. Assim me pareceu San Francisco. Poderia ter um clima melhor, mas não se pode ter tudo 🙂

Fotos de San Francisco – Silicon Valley

Fotos de San Francisco e final da viagem

5 pensamentos em “San Francisco”

    1. Metade do prazer de viajar é conhecer as comidas dos lugares. Provavelmente não faria este comentário se fosse para a China ou Índia, mas em locais mais ocidentais, não tem como não provar de tudo.

  1. Fabricio, o Clam Chowder é iguaria da região de Boston, por isso o nome New England Clam Chowder. Dizem que a do “public market” de lá é a melhor, mas eu não a achei tão melhor assim. Nunca provei a da Boudin, mas vou provar, valeu a dica.

  2. Olá, tudo bem?

    Encontrei seu site através do Google.

    Excelente postagem sobre a viagem!

    Já estive em San Francisco no ano passado mas fiquei 2 dias apenas (ia para um evento de trabalho no Arizona e passei por lá para conhecer a sede da Oracle).

    Não consegui fazer turismo quando estive, e desta vez com a esposa farei turismo.

    Num dos dias pretendo fazer um tour pelo Silicon Valley. Mas como ficarei do lado da Union Square, li que você citou que o Twitter fica ali no centro (até já encontrei o endereço), mas para entrar lá e fotografar é tranquilo?

    Abraço!

    Vinicius

    1. Oi Vinícius,

      No Twitter foi bem chato, é uma sala/andar em um prédio e a única coisa que conseguimos ver foi uma recepção enorme ao fundo, com muito espaço vazio e uma recepcionista mal humorada. Realmente não vale a pena subir só para isso, mas pode ter mudado desde que estivemos lá. Melhor que isso em SFO, vai no museu deYoung que tem uma exposição fantástica do Picasso.

      Quanto ao Silicon Valley, vale o passeio para aquelas fotos padrão na fachada das empresas. Nenhuma te deixa entrar ou fazer tour, conseguimos isso no Google porque tenho um amigo que trabalha lá.

      Vocês vem quando? Estamos aqui até final de agosto. No momento estamos embarcando para Vegas, mas depois voltaremos ao Silicon Valley.

      Uma coisa que não podes perder aqui é o Computer History Museum. Se tu gostas da história da computação, vai para lá as 10h que tem mta coisa para ver. Fecham as 17h, fomos as 13h e não consegui ver tudo, mesmo vendo correndo muitas coisas. Certamente voltarei lá.

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