Insegurança

Costumava me encontrar com um senhor na academia que freqüento, quase todos os dias. Ele era professor de matemática, aposentado.

Sexta-feira eu o vi no vestiário após um longo tempo e tivemos uma breve conversa sobre “insegurança”, um tema sobre o qual alguns amigos têm me perguntado com freqüência.

“O problema com a insegurança é que, se você é inseguro demais, então você não cresce – porque está paralisado pelo medo do fracasso”. Disse-lhe de repente. “Por outro lado, se você não tem insegurança, então também não cresce – porque sua cabeça é tão grande que não consegue reconhecer seus fracassos”.

“Equilibre tudo”, respondeu o emérito professor.

Afirmei: “Se você estiver no meio, no entanto, você tem de mover-se na direção das margens e mexer-se um pouquinho para saber se está centrado”.

“Você pode se perder no meio, às vezes”, disse ele.

Permanecemos quietos e terminei de arrumar minhas coisas.

Então, enquanto estava amarrando meu tênis, disparei: “Mentores”.

O emérito professor disse com voz firme: “Você precisa de mentores para dar-lhe coragem”.

Aí fui pesarosamente contundente: “Mas todos os seus mentores tendem a ir embora quando você fica mais velho”.

O emérito professor fez uma pausa e então respondeu: “Sim, porque você não necessita mais deles”.

Apertei sua mão e disse: “Obrigado pela lição”. O mestre sorriu, pôs as meias, colocou o tênis e eu saí do vestiário pensando: “Exercício faz muito bem para o coração”.