Definindo metas pessoais com muita inveja

Quero dar um basta a todas aquelas frases feitas, que dizem que inveja é uma M.., que é um sentimento pobre…Sei lá… Quem foi que começou com esta segregação sentimental? Você sente inveja de alguém, não sente? É claro que sim! Você é um ser humano. Todos os seres humanos vêm com estes defeitinhos de fábrica.

Inveja é que nem careca – quanto mais se disfarçar e se enganar, dizendo que ela não existe, mais aparente fica. Um careca será muito mais aceito pelo grupo dos metaleiros cabeludos se assumir honrosamente a sua lustrosa cabeça – talvez até criando um estilo próprio de careca.

Todas as características humanas devem ser vistas como dádivas divinas, e a inveja (assim como a careca) merece respeito, viu? O problema é a maneira como as pessoas lidam com este sentimento. Geralmente eu vejo aquele povinho sem graça, que jura por tudo na vida que não sente inveja de ninguém, e aquele outro grupinho que fica se roendo de inveja, com olhares cortantes e maldizeres para a pessoa invejada.

O mundo só cresceu por causa da inveja. Manoel tem inveja do vizinho que acabou de comprar um Porsche (caramba!). Só assim, o cara começou a trabalhar dobrado em sua empresa, para não se sentir por baixo. Manoel quer comprar logo uma Ferrari, para matar o seu vizinho de inveja! Por que ele quer fazer isto? Por pura vingança! Há! Há! Há!

Viva a inveja! Aceite este sentimento nobre como um forte aliado para seu sucesso na vida. Aprenda a se relacionar com esta raiva interna! Se você tem inveja de alguém que fez ou conseguiu algo que você gostaria de ter ou fazer, é sinal de que alguma coisa está errada na sua vida. A inveja é um aliado que o tira do marasmo, lembrando que você precisa se mexer mais para alcançar seus objetivos. É por isso, que o sentimento é ruim. Ele espelha uma frustração por alguma coisa que você não está conseguindo.

Você queria ser jogador de um grande time de futebol, e desistiu. Então, você vê na televisão que seu amigo de escolinha de esportes, Gilvanildo, vai jogar na seleção brasileira. Cara! Você finge que não, mas se morde de inveja. O problema é que o seu ex-colega de escolinha não desistiu. Você, sim.

A inveja pode ser encarada de forma depressiva, corroendo a sua auto- confiança e auto-estima, sempre lembrando de tudo o que você deixou inacabado na vida, ou pode ser encarada de forma positiva, gerando metas de qualidade pessoal e mostrando os caminhos por onde ir.

Imagine que dentro de sua empresa, você e o Zé lá do escritório, após cinco anos na mesma função, estão concorrendo por uma promoção. O chefe de vocês entra na sala, e diz que o Zé é o novo promovido da empresa. O seu sorriso fica amarelo e dissimulado, seu peito aperta de raiva, e você jura que está sendo injustiçado pelo seu chefe.

Mas, afinal, por que o Zé foi escolhido? Este é o melhor da inveja. Ela acabou de mostrá-lo que o Zé fez alguma coisa a mais do que você. Analise o Zé, de forma crítica, e veja o que foi, em suas táticas de marketing pessoal ou sua forma de trabalhar, que fez a diferença. Use o seu novo supervisor, o Zé, como uma meta a ser atingida. Aliás, faça ainda melhor: Atinja esta meta! Quando você não sentir mais inveja do Zé, você conseguiu chegar onde queria!

E vamos combinar o seguinte: a partir de agora, “A inveja é uma fada”!

Rico de Moraes (http://www.mgroupconsultores.com.br)