Deep Purple

Minha irmã liga perguntando: “quer assistir ao show do Deep Purple?”

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Então ontem, exatamente as 17h17, em uma chamada que durou 1 minuto e dezessete segundos, em determinado momento minha irmã pergunta:

– Tu gostarias de ir ao show do Deep Purple?

—–

Rosa Tatooada tocando Detroit Rock City é muito bom! Ok, menos do que o original que tenho em DVD do Animalize, ou o show deles em Porto Alegre (já falei que assisti o Kiss em POA?).

A proporção de fotógrafos por metro quadrado era enorme. Digamos que um fotógrafo profissional a cada dez fãs no show de abertura e um a cada 30 no auge do show principal. Tinham poucas cadeiras ao fundo, elevadas. Nos andares superiores e laterais, os pombais com o pessoal dependurado ao redor da pista. Uma fila só, todos na mureta, sem apertos. A pista estava ocupada pela metade, com amplo espaço pessoal. Dava para colocar tranquilamente cinco vezes mais gente se fosse para comparar com o aperto de assistir Shakira no Gigantinho. E oito vezes mais gente se for comparar com a Ivete Sangalo no Planeta Atlântida, na primeira fila (isso foi no segundo ou terceiro planeta, faz tempo). Estava vazio. Soube que no Gigantinho tinham 17.000 pessoas. Ontem não deviam ter mais de 800. Provavelmente por conta do ingresso salgado, de R$ 180 na pista.

O show começou pontualmente as 9h. O som estava uma porcaria, muito alto e distorcido, no sentido de mal regulado mesmo. Mal se ouvia a voz do Ian. Melhorou do meio para o final, mas não muito, porque neste ponto o tiozão tava com a gripe pegando forte e tossia justo na hora de começar a cantar o refrão, limpava o nariz escorrendo e então entoava o refrão do meio, sem perder o tempo da música uma só vez.

O público era o esperado, magros, gordos, tatuados, de preto, com camisetas de bandas metal, com as excessões que confirmam a regra, como minha esposa e seu casaquinho branco com sapatos azuis e uma guria alta de vestido longo, mas devidamente purple. A Ingue saiu logo no início, para ver Milk no cinema ao lado.

Quase nenhuma música era conhecida pela maioria do público, mesmo os fantasiados. Tinham uns 20 bem na frente do palco que sabiam todas, mas a maioria era tão ou mais alienada do que eu, que só conhecia três músicas (a “na nanana nanana nananaaaa”, que o Ian insistia em tossir no refrão, smoke in the water e black night, que encerrou o show).

O Steve Morse é mágico. Parecia ser um gurizão do lado das tias velhas. Depois descobri que já tem 54 anos. Mas o que ia escrever é que ele é mágico com aquela guitarra. Não faço a menor idéia de como é possível fazer o que ele fazia sozinho em termos de som. Com o tecladista e seus efeitinhos de sampler não me impressionei, apesar de muito bom, por saber o que a tecnologia permite, mas a guitarra era algo realmente impressionante.

O Roger Glover também matou a pau com o baixo.

O Ian Paice, quando fez um solo de bateria sozinho, foi para mostrar o quanto toca. Não que não desse para ver isso durante o resto do show, que foi impecável, mas quando ele mostrou o que fazia sozinho era de cair o queixo. Pode ser porque meus termos de comparação sejam o vizinho do apartamento de cima, que apesar de tentar tocar bateria todas as tardes ainda tem muito a ensaiar 🙂

E então, depois de umas musiquinhas no teclado, bossa nova, coisinhas do Brasil, obrigado por nos receberem,… Começa o riff de smoke in the water.

E tudo foi perfeito. Som limpo, instrumentos equilibrados, voz clara, público cantando afinado. Clássico como só um clássico pode ser. Obrigadouuu, love you, Brasil. Bye.

“Deep Purple”, “Deep Purple”, “Deep Purple”, “Deep Purple”, “Deep Purple”, “Deep Purple”, “Deep Purple”, “Deep Purple”, “Deep Purple”, “Deep Purple”, “Deep Purple”, … bis. Black night. Fim. 22h37

Saída, luz clara de shopping, pagar estacionamento, pais e filhos, segurança do shopping: “o filme deve acabar pelas 11h50”, sentar no banquinho e esperar minha esposa sair do cinema. Casa e cama. Segunda-feira como outra qualquer.

Minha irmã comentou sobre isso no blog dela: www.loscaracoles.com.br.

Gostei, mas não teria pago R$ 180 para ouvir só três músicas conhecidas.

Um pensamento em “Deep Purple”

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