Controle seus gastos

A maioria das pessoas não tem a menor idéia da grande quantidade de dinheiro que passa por suas mãos todos os dias. Esse dinheiro, dividido em dezenas de pequenos valores, passa por nossas mãos sem nos darmos conta de sua quantidade.

Porque as pessoas não enriquecem?

O desprezo pelos pequenos valores: Todos os dias fazemos diversas pequenas transações financeiras. Tão pequenas que no final do dia sequer lembramos delas. Algumas pessoas costumam tomar café da manhã fora de casa, pagando bem mais pelo pãozinho com presunto e queijo do que custaria se preparassem em casa. A maioria das pessoas costuma jogar num canto qualquer as moedas recebidas de troco. Isso quando não deixam o troco de “brinde” para o dono do estabelecimento. Todos esses pequenos valores, quando somados, costumam surpreender as pessoas.

O descaso por uma boa negociação: Muita gente costuma fazer as compras da maneira mais parcelada possível, para conseguir uma prestação mais baixa. Fazem isso e se esquecem de calcular o quanto irão pagar no total. Geralmente as lojas possuem taxas de juros consideravelmente mais altas do que o dinheiro renderia no banco. Adiar a compra daquele liquidificador por poucos meses pode significar pagar apenas metade do preço do que comprando parcelado.

A ausência de percepção financeira: Quantas pessoas você conhece que até possuem uma pequena reserva financeira? E quantas dessas pessoas tem o saldo do cartão de crédito parcelado todo mês? É completamente ilógico. Porque deixar o dinheiro rendendo 1% ao mês e pagar 12% de juros no cartão de crédito?

Não saber onde se quer chegar: Esse é um fato incontestável. Se as pessoas não sabem o que desejam atingir, não têm como fazer o planejamento para conquistar tal objetivo.

Como controlar seus gastos

Existem diversas técnicas para fazer o controle dos gastos. A primeira coisa que temos que fazer é bastante simples:

  • Coloque uma folha de papel junto do seu dinheiro;
  • Anote cada gasto feito durante o dia, classificando em alguma categoria pré-determinada.

Com apenas essas duas atitudes já teremos meio caminho andado. Depois disso temos que consolidar os gastos das categorias de forma a saber o quanto gastamos mensalmente em cada uma delas.

Para as categorias, sugiro algo relativamente simples. Quanto mais complexo e cheio de divisões, mais chato e complicado de aplicar no dia a dia. As suas categorias podem ser diferentes das minhas, mas deixo uma sugestão abaixo:

  1. Pague-se primeiro: Essa categoria serve como acompanhamento. Sempre que ganhar algum dinheiro, separe a sua parte (no mínimo 10%) e coloque em sua conta de aplicação (ou em uma caixinha, caso o valor seja muito baixo para poder aplicar no banco);
  2. Doação: Anote tudo o que você doa. Pode ser para a caixinha da Igreja, para algum mendigo, para a instituição de caridade que você se identifica. Em capítulos adiantes vou escrever mais sobre esse assunto.
  3. Impostos e taxas: Não temos como fugir. Mesmo que estejamos livres do imposto de renda por ganhar menos do que o limite de isenção, ainda assim temos impostos e taxas. É a CPMF, as taxas de manutenção da conta no banco, etc.;
  4. Moradia: Se está pagando a casa própria, aqui vão os valores da prestação do financiamento, os gastos de manutenção da casa, tais como consertos e melhorias, as reformas necessárias, etc.;
  5. Custo de vida: Essa é a categoria que conterá a maior parte de suas despesas. Aqui vai a conta do supermercado, do almoço na rua, do telefone fixo, celular, internet, roupas. Enfim, tudo que seja necessário para viver sua vida. Nesta categoria também entra a conta do condomínio e aluguel, caso não possua a casa própria;
  6. Carro ou Transporte: Aqui vão os gastos de gasolina, manutenção, seguro, IPVA, passagens de ônibus, corridas de táxi, estacionamento, pedágio, enfim, tudo que se relacione com locomoção;
  7. Lazer: Cinema, teatro, CDs, passeios, jantar fora com a família;
  8. Seguros: Do carro, de vida, da casa…;
  9. Diversos: Tudo que não se enquadra em nenhuma das categorias anteriores;
  10. Negócios: Gastos em pequenos negócios. Por exemplo, o material necessário para fazer algo artesanal que será vendido com pequeno lucro. Ou a compra de um equipamento que será revendido.

As categorias acima são apenas uma sugestão. São as categorias que usei durante muito tempo. Dependendo do seu momento na vida, as categorias podem variar um pouco. Pode ser retirada a categoria “Seguros” caso você não possua nenhum. Pode ser acrescentada uma categoria “Estudo” para classificar as prestações da faculdade e o material didático. O importante é manter o sistema simples, para que a complexidade não o impeça de usar a classificação em todos os seus gastos diários.

Note que anotar o valor que gastou, em que foi feito esse gasto e a que categoria pertence é tão simples que não deve tomar mais do que alguns segundos. O mais importante é classificar todos esses gastos no final da semana e no final do mês e estudar para onde está indo o seu dinheiro. As descobertas que fazemos depois de realizar esse acompanhamento por apenas um mês, são desconcertantes.

Depois de descobrir como gastamos nosso dinheiro, podemos decidir o que pode ser cortado e o que não pode. Quais são os pequenos gastos que no final do mês fazem com que todo nosso dinheiro suma da carteira.

Como fazer um orçamento mensal

Depois de ter feito o acompanhamento de seus gastos por pelo menos três meses, você deve fazer um orçamento mensal. Este orçamento vai definir o quanto você pode gastar em cada uma das categorias principais. O orçamento deve levar em conta os valores que você apurou ao fazer o acompanhamento e também os valores que você decidiu cortar dos seus gastos mensais para poder economizar.

Existe uma técnica que recomendo para as pessoas que simplesmente não conseguem se controlar em relação aos seus gastos. É a técnica do envelope. Esta é uma maneira extremamente simples de controlar seus gastos e fazer um pequeno orçamento mensal. Consiste no seguinte:

  1. Liste suas contas mensais;
  2. Pegue vários envelopes;
  3. Escreva um tipo de gasto em cada um: por exemplo, supermercado, comer fora, roupas, passagens de ônibus;
  4. Quando receber seu salário, separe a quantia para pagar as contas mensais e os valores que você precisa para cada tipo de gasto e coloque nos respectivos envelopes;
  5. Pague todas as suas contas mensais;
  6. Use o dinheiro de cada envelope apenas com os gastos daquele envelope. Não misture as contas.

Dessa forma, em pouco tempo você terá adquirido o hábito de gastar apenas o que pode em cada tipo de despesa na sua vida. Isso ajudará a manter as contas controladas e permitirá que seu salário dure pelo menos até o fim do mês.

2 pensamentos em “Controle seus gastos”

  1. Gostei do artigo. só faltou claro tirar a CPMF pois esta agente não precisa mais se preocupar, pois se encontra em desuso neste pais que pagamos um carga tributaria de outro mundo. aff…

  2. Gostei e vou pegar como base para efetuar os controles dos gastos mensais.

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