Barcelona

La PedreraMe desculpem os espanhois, até porque adorei Madrid, mas Barcelona não fica na Espanha, fica na Catalunya. São países diferentes, como povos diferentes, hábitos diferentes, línguas diferentes. Não fazem a famosa siesta, falam catalão ou galego, uma mistura de espanhol com francês, puxando mais para o francês do que para o espanhol. Um exemplo: saída, em espanhol: salida, em francês: sortie, em catalão: sortida.

Tudo está escrito em catalão. Como é uma cidade preparada para o turismo, na maior parte dos locais há indicações em catalão, espanhol e inglês, nesta ordem. As pessoas falam catalão entre sí e espanhol com os turistas.

A cidade

Como escrevi acima, Barcelona é uma cidade turística, muito legal, mas não deu aquela mesma vontade de morar lá que senti em Madrid. Talvez pelo tamanho, pareceu ser bem maior que Madrid, ou ao menos, muito mais espalhada. Se bem que acho que isso não é real, apenas em Madrid nos concentramos em visitar o centro, onde está quase tudo que interessa para quem vem de fora. Em Barcelona as atrações estão todas longe umas das outras.

Barcelona é uma cidade mais bem planejada que Madrid, ao menos no bairro onde ficamos, com ruas largas. As quadras são “quadradas”, assim entre aspas porque possuem “chanfros” nas esquinas onde carros estacionam. Há ciclovias espalhadas por tudo, separadas tanto da rua quanto da calçada, entre os dois, para explicar melhor. Tudo isso é válido para a parte nova da cidade, a cidade velha ou o bairro gótico são um caso a parte. Ou seja, esqueça tudo que escrevi antes, Barcelona não é mais bem planejada que Madrid, apenas estou comparando alhos com bugalhos.

Imagine uma cidade da idade média, com construções de pedra, grandes muralhas, igrejas daquelas com detalhes absurdos nas fachadas, ruas estreitas e escuras, calçadas com pedras. Assim é o bairro gótico, uma aula de história no meio da rua. Impressionante.

O metrô, a primeira vista, parece mais complexo que o de Madrid, mas é só questão de costume. As linhas são bem sinalizadas e os trens bastante modernos, com indicações visuais e sonoras de qual a próxima estação e de que lado temos que descer. No segundo dia já me movimentava pelo subsolo como qualquer cidadão local.

Preços

Barcelona é um pouco mais cara que Madrid. Nas lojas a diferença não é muita, mas na alimentação dá para notar um pouco. Nos supermercados ambas as cidades são semelhantes, preços excelentes e ótima variedade.

Gaudi

Barcelona é Gaudi. A cidade deve tanto a este artista que não há muito o que falar. os pontos turísticos se resumem a prédios e parques desenhados por ele, além de “poucas coisas mais”. Igreja Sagrada Família, Prédio Batllò, La Pedrera, Park Guell… Isso é Barcelona. Visitar a cidade e não conhecer as obras deste gênio louco ou deste louco genial é algo impossível. E ao ver os prédios por fora, pague o ingresso e entre, é melhor ainda. Vá com tempo, pegue o audioguia e se delicie com as explicações e histórias.

Ramblas

As ramblas são avenidas enormes, oou melhor, são grandes passeios, largos, no meio de duas ruas estreitas. Lá, banquinhas, artistas de rua e pedestres brigam amigavelmente pelo espaço. Ao longo de todo o trajeto, cafés e restaurantes completam o passeio.

Segurança

Em todo lugar que procurei informações sobre a cidade haviam avisos sobre a grande quantidade de batedores de carteira. Fiquei ligado o tempo todo e não tive problema algum. Dito isso, em vários locais vi pessoas de “aparência suspeita”. Deixo assim entre aspas porque apesar de haver um outro vagabundos notórios, também havia alguns que poderiam ser simplesmente diferentes das pessoas do local, mas ainda assim boa gente.

Por via das dúvidas, não tiraria o notebook da mochila nem mostraria dinheiro e cartões na rua, coisas que faria sem problemas em Madrid.

Em todo lugar as pessoas circulam com máquinas fotográficas ostensivamente penduradas em pulsos e pescoços. Modelos grandes ou pequenos em igual quantidade. Mesmo com todos os avisos de cuidado, a sensação de segurança é algo fantástico de sentir.

Golpes

O que vou descrever não é exclusividade de Barcelona, há em Madrid, há em Paris, há em toda Europa. Com a dificuldade com a língua, é comum os atendentes de bares e restaurantes oferecerem “extras” ao seu pedido, você aceitar pensando que ele apenas está confirmando o pedido e então te cobrando bem mais do que se você fizesse o pedido padrão. Tentaram em Barcelona, mas a técnica para escapar é simples: faça o pedido e junto com o mesmo, repita o valor, apontando no cardápio. Qualquer coisa que o atendente fale depois, apenas repita o valor que há no cardápio.

Três ou quatro dias são suficientes para sentir um gostinho da cidade se você for daqueles que gostam de andar. Se quiser ver tudo com mais calma, cinco ou seis dias darão toda a tranquilidade necessária para um passeio sem atropelos.

Para ir do aeroporto até a cidade e vice versa, o aerobus é a melhor opção. € 5 de passagem por pessoa e você chega na Plaza Catalunya, no centro da cidade. De lá, basta pegar o metro para seu hotel, ou um táxi se quiser facilitar a vida ou se estiver com muita bagagem.

As fotos estão lá nos meus álbuns.

No próximo texto… Paris!

Um pensamento em “Barcelona”

  1. Gostei dessa… Barcelona não fica na Espanha!

    Essa era uma cidade que gostaria de conhecer.

    Estou tuitando essa série, achei legal a forma como vc está descrevendo as cidades!

    Abraços!

Os comentários estão desativados.